TABIRA POR GENILDO SANTANA
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Tabira
Ela já foi pequena como TOCO DO GONÇALO. E já existe desde 1865. Foi muito natural quando foi MADEIRA. Ela foi mais religiosa quando virou ESPÍRITO SANTO. Foi e é mais original quando se fez TABIRA. TABIRA foi um índio. E índia também: a primeira índia no Brasil a se envolver com um branco. Mas foi do masculino, e não do feminino, que veio seu nome. Eu a vi pela primeira vez em 1972. Conscientemente, foi em 1978. Nela contemplei suas calçadas, suas luzes (que mais bonitas só as luzes do caminhão de ZIZA quando deixava o povo na Cachoeira). Nela descobri o mundo através do ensino das duas professoras que tanto amo: a primeira minha mãe, a segunda dona Rubenita.
Em Tabira vi João Gabriel e me encantei. Em Tabira ouvi Dedé Monteiro e quis ser igual (quanta pretensão!). Em Tabira ouvi o som da viola e amei o improviso.
Em Tabira vi, na minha infância, fome, emergência, violência, morte. Vi sertanejos serem enganados por políticos e não sabia que iria ver isso a vida inteira. Quis, e continuo querendo, reagir a esses hipócritas. E reajo. À minha maneira não me acovardo.
Em Tabira ganhei a vida e vi a morte visitando minha casa e minha família em regulares espaços de tempo. Seu chão guarda meus avós, primos, tios, pais, amigos e NOIVA. Ela foi me tomando aos poucos o que também aos poucos me deu. Não lhe odiei por isso. Passeia lhe amar mais. VIVO PERTO DELA COMO UM AMANTE QUE NÃO QUER SE AFASTAR DA PESSOA AMADA.
Tabira! Ontem sua feira era o palco das facadas, dos acertos de conta. Hoje, é o maior shopping ao ar livre do interior de Pernambuco. Nela, o passado grita ao presente com medo de se perder no passado! Nela, a fé foi mais fé nos Padres que por aqui passaram. Eles fizeram sua história, baseada na fé Católica. Seu LAU CORDEIRO (QUE NOME, QUE GLÓRIA!) está ai pra contar.
Nela a educação foi mais educação nos mestres como MESTRE TOTA, PROFESSOR JOÃO GABRIEL, TIA TUZA, ODANO PIRES, só para lembrar alguns. Somos, hoje, a continuação deles. Esta é a nossa maior responsabilidade.
Tabira! Foi violenta com JOÃO RODRIGUES E BENZINHIO VIDAL. Os mais novos podem nem conhecer essa história, mas deveriam. Viu violência na morte TÃO LENTA, QUANTO DOLOROSA de ZEZINHO LIMOEIRO, mais uma vez, só para citar alguns.
Tabira! Em muita coisa mudou e continua mudando. Mas numa coisa permanece igual: A EXPLORAÇÃO POLÍTICA DOS SEUS FALSOS AMANTES. Sim! Eles não a amam. Amor se explica com gestos mais do que com palavras. E seus gestos desmentem suas palavras. A imbecilidade chegou a tal ponto que Tabira foi e é a única cidade que comemorou 60 anos duas vezes. Culpa deles…na época servimos de chacota pra muita gente. Foi em 2009, se não me falha a memória. Mas, até hoje uns preferem seu aniversário em 31 de Dezembro, enquanto outros sustentam o 27 de maio. EITA, NÓ DIFÍCIL DE DESATAR!
Tabira! Tens filhos próprios e filhos adotivos. Alguns são maus filhos. Mas eles não definem teu povo. A ovelha má não define o rebanho. Teu rebanho é bom. Uma filha tua me disse certa vez que em Tabira o povo se ama, enquanto onde ela mora o povo se odeia. Tabira tem filhos que lhe honram até demais. Não falo dos que se “deram bem na vida”. Não! Falo daqueles que nasceram vítimas da pobreza, continuam pobres, mas dignos. NALDINHO, o “naldinho de lula” é um deles. No mercado público tem um monte destes. Na tua periferia, outros.
Tabira! O que ela tem de melhor são seus poetas. São eles que dão um brilho especial aos seus momentos. E eu fico feliz em participar dessa história. Sejam escritores, cantadores, declamadores, glosadores, pandeiristas, aboiadores. Seja a APPTA, A PAVAM, A AJUPTA. Todos fazem o que fazem por ti porque te amam.
Tabira! Minhas melhores memórias estão nas telhas das tuas casas. Alguns versos meus estão nas tuas ruas. Um dia fui embora e chorei. Lá fora, estranho entre estranhos, mais amei os meus. E quis voltar. E voltei. E aqui vivi os momentos mais belos e dolorosos da minha vida. Quis te dar algo e me fiz teu professor, teu poeta.
Ensaiei saídas. Ainda não tive coragem! Digo como Goethe: “– Eu vejo o mundo a partir do jardim da minha casa”. E tu és minha casa.
Tabira! Rezo para que teu futuro seja melhor do que o teu passado. Mas, se dependeres dos teus políticos, não terás futuro. Infelizmente!
Parabéns pelos teus 65 anos de alforria, de liberdade, de senhora do teu destino ou de EMANCIPAÇÃO POLÍTICA.
Como um filho que ama sua mãe eu te peço: dê-me mais SEGURANÇA de estar ao teu lado. Dê-me mais SAÚDE para eu ficar muito tempo ao teu lado, dê-me mais LAZER para eu me divertir contigo, dê-me mais TRABALHO para eu não ter que ir embora, dê-me, mãe querida, um irmão que te ame de verdade e queira assumir teu destino com seriedade e compromisso
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